Quadril esportivo

quadril-esportivo

  • ifa1A doença do impacto femoroacetabular - IFA é um problema mecânico da articulação do quadril, quando ocorre um contato anormal entre o rebordo acetabular e colo do fêmur. As duas principais causas desta patologia são a proeminência óssea na transição colo-cabeça femoral com deformidade em "cabo de pistola” (CAM) e o aumento na cobertura óssea acetabular (PINCER). Geralmente os pacientes são jovens ( 15 a 40 anos ), apresentam dor relacionada às atividades físicas, à flexão e rotação do quadril, e restrição do movimento. A dor mais comum é na virilha e anterolateral no quadril, mas frequentemente alguns pacientes apresentam dor lateral e posterior.

    ifa2

     

    Vídeo demonstrativo do Impacto Femoroacetabular tipo CAM.

    Vídeo demonstrativo do Impacto Femoroacetabular tipo PINCER.

    O IFA é a principal causa de lesão do labrum acetabular, que juntamente com a lesão da cartilagem do quadril, contribuem para alterações degenerativas à longo prazo. O tratamento do IFA busca melhora dos sintomas, correção da biomecânica da articulação e tratamento das lesões associadas, na tentativa de evitar alterações degenerativas futuras e de proporcionar ao paciente o retorno às atividades laborais e esportivas. A indicação do tratamento depende da idade, dos sintomas, das atividades esportivas e laborais, e do grau das alterações degenerativas do quadril.

    Deformidade tipo CAM.

    Deformidade tipo CAM.

    Lesão da cartilagem e labrum do IFA tipo CAM.

    Lesão da cartilagem e labrum do IFA tipo CAM.

    Deformidade tipo PINCER.

    Deformidade tipo PINCER.

    Lesão de labrum e cartilagem do IFA tipo PINCER.

    Lesão de labrum e cartilagem do IFA tipo PINCER.

    O tratamento em alguns casos é conservador, com uso de medicação, trabalho muscular do abdome, lombar e quadril, e fortalecimento do CORE. Na maioria dos pacientes com IFA sintomáticos, com lesão do labrum e da cartilagem, o tratamento é cirúrgico. A cirurgia pode ser realizada por via aberta, ou por artroscopia do quadril.

  • labrum1

    O labrum acetabular é uma fibrocartilagem que contorna o rebordo do acetábulo. As principais funções do labrum são a vedação da articulação, aumento da estabilidade do quadril, lubrificação e absorção de impacto.

    A principal causa da lesão do labrum é o impacto femoroacetabular ( IFA ). Trauma, displasia do quadril, instabilidade ou frouxidão capsular também podem causar lesões do labrun acetabular. O sintoma mais comum é a dor na região anterolateral do quadril, geralmente profunda, mas pode ocorrer na região lateral ou posterior do quadril. Alguns pacientes com lesão do labrum apresentam estalos ou clicks no quadril, e as vezes sensação de deslocamento. A lesão do labrum é um fator de risco para degeneração do quadril.

    labrum2

    O tratamento da lesão do labrum incialmente é conservador, com medicação, trabalho muscular do abdome, lombar e do quadril, e fortalecimento do CORE,  principalmente nas lesões isoladas. Nas lesões do labrum secundárias ao IFA, o tratamento geralmente é cirúrgico, para reparar o labrum lesado e corrigir o fator predisponente para a lesão, que é o impacto femoroacetabular. O tratamento das lesões do labrum pode ser realizado por cirurgia aberta, mas preferencialmente por artroscopia do quadril.

  • q-tendinopatia1

    As tendinopatias peritrocantéricas são alterações inflamatórias que ocorrem no tendão do músculo glúteo médio e glúteo mínimo, e também decorrente do atrito entre o trato iliotibial e o grande trocanter nas região lateral do quadril.

    A bursite do quadril é a inflamação da bursa, que é uma pequena bolsa de líquido que serve para diminuir a pressão e o atrito entre os tecidos moles (músculos e tendões) e o osso.

    q-tendinopatia2

    Geralmente as tendinopatias peritrocantéricas e a bursite do quadril são patologias que ocorrem juntas. A dor típica é na região lateral do quadril, principalmente pela noite e para levantar da posição sentada. O tratamento na maioria dos casos é conservador, com medicação via oral e infiltração local, fisioterapia e trabalho muscular de alongamento e fortalecimento. Em alguns casos, refratários ao tratamento conservador bem realizado e por pelo menos 6 meses, pode ser necessário o tratamento cirúrgico, por via aberta ou artroscopia do quadril, para retirada da bursa e liberação do trato iliotibial e tratamento da lesão do tendão do glúteo médio.

  • Artroscopia quadril

    A videoartroscopia é uma técnica cirúrgica para tratamento de lesões dentro e ao redor das articulações. Há muitos anos a videoartroscopia é utilizada para tratamento de lesões no joelho e ombro. Na técnica de videoartroscopia, uma câmera de vídeo e instrumentos específicos para artroscopia são introduzidos na articulação por pequenas incisões na pele de aproximadamente 1 cm.

    Artroscopia Quadril-

    A artroscopia do quadril é uma técnica cirúrgica que está em grande crescimento no mundo, principalmente no tratamento do impacto femoroacetabular (IFA) e da lesão do labrum. Outras patologias do quadril, como a bursite e tendinopatias peritrocantéricas, artrose do quadril leve/moderada, corpos livres intra-articulares e lesões do ligamento redondo também podem ser tratadas por artroscopia.

    q-artroscopia3

    No tratamento do IFA é realizada a osteocondroplastia (remodelação) das alterações ósseas no fêmur (CAM) e no acetábulo (PINCER) e também avaliação das lesões de cartilagem e do labrum. Na presença da lesão do labrum, com destacamento e instabilidade, é realizada o reparo da lesão com sutura utilizando pequenas âncoras.

  • O termo pubalgia significa dor na região do púbis. A patologia pubalgia foi inicialmente descrita nos anos 80, em atletas de esgrima e futebol que apresentavam dor na região do púbis e da virilha relacionada à atividade física. Este sintoma era classicamente atribuído à disfunção muscular entre o músculo reto abdominal e músculos adutores, principalmente com sobrecarga de exercícios.

    Pubalgia - dor

    A região púbica é formada pelo ossos púbis e ísquio, pela sínfese púbica, e pelos tendões da musculatura abdômen e adutores. A dor típica da pubalgia é mais comuns no sexo masculino, é localizada na região da virilha, no púbis, na bolsa escrotal ou na região abdominal inferior. Geralmente a dor piora com atividades físicas aeróbicas (futebol, corrida, tênis) e anaeróbicas (musculação), onde a musculatura dos membros inferiores, abdômen e lombar são exigidas.

    A principal causa de pubalgia, ou a chamada pubalgia “clássica” é um desequilíbrio funcional crônico entre o músculos adutores e abdutores, abdominais e lombares, que atuam como agonistas e antagonistas na estabilização do quadril, pelve, abdômen e lombar. Tendinopatia proximal dos músculos adutores e da inserção distal do músculo reto abdominal são frequentemente observadas nos exames de imagem, juntamente com edema ósseo na região púbica.

    Pubalgia - disfunção muscular

    Biomecânica da pubalgia "clássica".

    É importante saber que existem outras patologias que causam dor nesta região. Artrose do quadril e impacto femoroacetabular são exemplos de alterações articulares que podem produzir dor na região da virilha. Tendinite e bursite do músculo psoas também apresentar sintomas semelhantes. Hérnia inguinal, abdominal e a hérnia do atleta (defeito na parede abdominal profunda), alterações ginecológicas na mulher, urológicas no homem são causas não ortopédicas de pubalgia e devem ser investigadas.

    Para um diagnóstico preciso, é muito importante uma avaliação clínica completa, analisando as características dos sintomas, tempo de evolução, fatores de melhora e piora e tratamos realizados. Um exame físico minucioso é fundamental para diferenciar as causas de pubalgia. O teste de Grava modificado (adução dos quadris contra-resistência + flexão do tronco) é um teste muito útil para caracterizar a pubalgia "clássica".

    Lesões traumáticas dos adutores são muito frequentes, porém muitas vezes são negligenciadas e não tratadas de forma correta, sem respeitar o tempo de cicatrização e reabilitação. Quando esta lesão ocorre na região proximal do músculo ou na inserção do tendão no osso no púbis, se não tratada corretamente, pode ocorrer uma falha de cicatrização, gerando inflamação e dor crônica.

    O tratamento sempre é baseado na causa da dor na região do púbis. Medicações anti-inflamatórias e corticoides são geralmente utilizados para diminuição da dor e processo inflamatório nas fases inicias da patologia. Reequilíbrio muscular dos adutores/abdutores, abdômen/lombar e reforço da musculatura do CORE são fundamentais n tratamento da disfunção muscular.

    FAI - pubalgia

    IFA e Pubalgia.

    Alguns paciente apresentam pubalgia crônica, que mesmo após longos períodos de tratamento realizados de forma adequada, persistem sintomáticos com dificuldade de retorno à prática esportiva.. Em muitos desses casos, existe uma alteração biomecânica entre o quadril e a pelve durante o movimento de flexão e rotação do quadril. Pacientes que apresentam bloqueio de rotação interna do quadril, geralmente causado por impacto femoroacetabular, apresentam uma sobrecarga na sínfese púbica anteriormente, e na articulação sacroilíaca e coluna lombar posteriormente, compensatória à esta falta de mobilidade. Esta sobrecarga causa micro movimentos, que geram alterações inflamatórias na sínfese (osteíte púbica), na sacroilíaca (sacroileíte) e na coluna lombar (lesão nos discos).

    Vídeo demonstrativo das alterações compensatórias do Impacto Femoroacetabular (Fonte: Marc R. Safran, MD).

     

    Nestes pacientes crônicos, sem melhora do quadro de dor ou com pubalgia recorrente, é muito importante identificar esta alteração biomecânica, e muitas vezes realizar uma artroscopia do quadril para corrigir o impacto femoroacetabular para melhorar os sintomas e retornar às atividade físicas.

    Artigo complementar:

    High Incidence of Athletic Pubalgia Symptoms in Professional Athletes With Symptomatic Femoroacetabular Impingement. Sommer Hammoud, Asheesh Bedi, Erin Magennis, William C. Meyers, Bryan T. Kelly.
    Arthroscopy: The Journal of Arthroscopic & Related Surgery, Volume 28, Issue 10, October 2012, Pages 1388-1395

     

  • A Dor Glútea Profunda representa um conjunto de doenças que causam uma queixa muito comum no consultório de um especialista em quadril: dor na região posterior do quadril, profunda, geralmente na região glútea, que pode apresentar irradiação para o membro inferior. A dor geralmente piora na posição sentada e com esforço físico.

    Este quadro clínico pode ser causado por alterações no quadril, mas também pode ser a manifestação de alterações em outros locais do corpo, como por exemplo: na coluna lombar, na articulação sacroilíaca e alterações abdominais e ginecológicas. Podemos dividir as causas de dor glútea profunda em: articular, extra-articular, muscular e neurovascular.

    Anatomia glútea profunda

    Cada um dos diagnósticos possíveis tem uma grande relação com a idade do paciente, historia de doenças prévias, tipo de dor e irradiação, fatores de melhora e piora, atividades físicas e de trabalho, tratamento realizados.

    As alterações articulares que normalmente causam dor glútea profunda são a artrose do quadril e o impacto femoroacetabular. Nestes casos a dor geralmente está relacionada com o movimento, e melhora com repouso. A alteração extra-articular mais comum é o impacto isquiofemoral. Esta alteração ocorre por um pinçamento entre o trocânter menor no fêmur e o ísquio na pelve. A dor nesse caso piora com atividade física com passadas longas, muito frequentes em corredores.

    Dentro das causas musculares para estas queixas, as mais frequentes são as tendinopatias no trocânter maior, tendinopatias do musculo piriforme e isquiotibiais e a contratura do musculo glúteo máximo. A tendinopatia do trocânter e a bursite do quadril são causadas por um encurtamento do trato iliotibial e uma disfunção muscular do glúteo médio e mínimo. Estes dois músculos quando muito fracos, podem causar a inflamação nos seus tendões e dor na região lateral do quadril, ou no ventre muscular, com sintoma de dor glútea profunda). O musculo piriforme é o principal rotador externo do quadril. A Tendinopatia deste musculo causa uma dor profunda, sem irradiação para a perna, que piora com rotação externa do quadril, com atividade física e ficar sentado. A tendinite dos músculos isquiotibiais ( flexores do joelho ) se apresenta com dor na região proximal do músculo, geralmente na inserção do tendão no ísquio. A dor normalmente irradia para região posterior da coxa até o joelho e piora com o exercícios de alongamento deste grupo muscular.

    A causa neurovascular mais comum de dor glútea é a compressão do nervo ciático. O nervo ciático se origina na coluna lombar, passa pela região posterior da pelve, saindo para o quadril entre os rotadores externos, e termina na região distal do pé. A queixa do paciente com compressão ciática é a dor na região lombar, posterior do quadril ou glútea profunda, com irradiação para a perna ou pé, comumente com alteração de sensibilidade na perna ou pé.

    Artrose na coluna, hérnia de disco lombar e estenose do canal medular são causas muito comuns de compressão do nervo ciático na coluna. Alterações ginecológicas como endometrioses, miomas uterinos, cisto de ovário podem causar compressão do nervo na pelve. A contratura do muscular piriforme ou uma alteração anatômica onde o nervo ciático sai da pelve passando por dentro do musculo piriforme pode causar a Síndrome do Piriforme : dor glútea profunda, irradiada para o membro inferior(ciática) que piora com os testes irritativos de ensinamento do músculo piriforme e do nervo ciático. Alterações na vascularização do nervo ciático, aderências que podem comprimir o nervo também são possíveis causas de dor ciática.

    Síndrome Piriforme                                             Piriforme - Ciático

    É muito importante uma avaliação ortopédica completa, exames complementares, e muitas vezes, uma avaliação abdominal e ginecológica, para realizar o diagnóstico preciso da causa do dor. O tratamento deve ser realizado com objetivo de tratar a causa do problema e não apenas o sintoma, uma vez que tratar o quadril de um paciente que tem uma hérnia de disco lombar não resultará em melhora do paciente, já que a causa real do sintoma não foi abordada.

    Artigo complementar: Deep gluteal syndrome. H.D. Martin; M. Reddy; J. Gómes-Hoyos; J Hip Preserv Surg (2015)doi: 10.1093/jhps/hnv029. http://jhps.oxfordjournals.org/content/early/2015/06/06/jhps.hnv029.full

  • acido-hialuronico

    O Ácido Hialurônico é um componente da cartilagem e do líquido sinovial, que funciona como um “lubrificante” da articulação, pois aumenta a viscosidade do líquido sinovial, o que aumenta a lubrificação e a absorção de impacto, além de melhorar a nutrição da cartilagem.

    A viscossuplementação pode ser utilizada em pacientes com lesão de cartilagem ou artrose leve/moderada , como uma forma de tratamento para preservação da articulação.

    O objetivo deste tratamento é o alívio dos sintomas, e a tentativa de aumentar a sobrevida da articulação, buscando diminuir a velocidade de progressão do desgaste. O ácido hialurônico também pode ser usado como tratamento biológico complementar à artroscopia do quadril nas lesões de cartilagem, ou como medida paliativa na tentativa de adiar uma prótese total do quadril nos pacientes mais jovens.

    infiltracao-quadril

    A aplicação é realizada através de uma infiltração do quadril guiada por intensificador de imagens (RX dinâmico com pouca radiação) ou por ultrassom. O procedimento geralmente é realizado em ambiente clínico-hospitalar, com anestesia local e sedação. É um procedimento simples, e o paciente pode retornar às atividades diárias no dia seguinte, devendo aguardar dois dias para prática de atividades mais intensas e esportivas.

  • fratura-estresse-quadril

    A fratura por estresse é uma lesão óssea relacionada a dois mecanismos: carga normal num osso frágil ou excesso de carga num osso normal.

    Alterações no metabolismo ósseo, como a osteoporose, causam uma fragilidade óssea que pode levar à fratura de estresse não relacionadas às atividades físicas e de impacto.

    Nos atletas, amadores ou profissionais, geralmente observamos uma excelente qualidade óssea, porém estes submetem os ossos e articulações a grande sobrecarga nos treinos e competições, principalmente nas atividades com impacto. A dor geralmente é na região da virilha, e está realacionada às atividades físicas.

    fratura-stress-quadril

    O local mais comum da fratura por estresse no quadril é o colo do fêmur, e geralmente está relacionada ao aumento rápido da intensidade de treinos ou nos corredores de longas distâncias. Segundo alguns estudos, os pacientes com este tipo de lesão geralmente estão treinando há mais de 2 anos e 6 vezes ou mais por semana. As mulheres são mais susceptíveis às fraturas de estresse, provavelmente por alterações hormonais. Em outro estudo realizado, foi demonstrado que atletas (amadores e profissionais) que correm mais que 30 km/semana têm mais de 80% de chance de ter uma lesão com afastamento do esporte em 5 anos; já os que correm menos de 30 km/semana apresentam apenas 5% de risco.

    Fratura de stress

    A fratura de estresse no colo do fêmur pode ocorrer de três formas: compressão, tensão e desviadas. As fraturas de compressão são as mais comuns e o tratamento geralmente é conservador. Já as fraturas de tensão podem necessitar de tratamento cirúrgico com fixação profilática (preventiva) para não desviarem. As fraturas desviadas são sempre de tratamento cirúrgico.

    fratura-stress-quadril-cirurgia

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